
Mais uma vez você não apareceu. Mais uma vez fiquei sentada perto da porta, atenta a qualquer pessoa que tocasse naquela maçaneta, imaginando o momento certo em que você cruzaria por aquela sala. Mas você não foi. Não chegou a tempo de fazer meu coração dar aquelas batidinhas involuntárias ao te ver. Você não apareceu. Fez da sua ausência mais uma vez a presença do meu dia. Olhei as cadeiras ao meu redor e me recordei dos dias em que você sentou em cada uma delas: na mesma posição elas assim estavam. E permaneceram. Como se elas, assim como eu, estivessem a sua espera. A espera de alguém que não foi. E que tenho plena certeza que nunca mais vai chegar. Tenho de antemão me acostumar com isso. Contentar-me apenas com lembranças. Lembranças essas que eu tento apagar, mas que não serão apagadas nem tão cedo. Pois para apaga-las, terei que apagar você de mim. Tirar você da minha memória. Do meu coração. Porque da minha vida, o próprio destino já está fazendo questão de assumir o papel. (Liberdade)